Bullying, Suicídio e 13 Reasons Why | Com a Palavra e Indicação Netflix


Achei que a nova série original da Netflix, tendo a Selena Gomez como uma das produtoras, seria só mais um drama voltado para o público adolescente, mas depois que vi o trailer, fiquei curiosa e comecei a assistir. Num mesmo dia, foram 6 episódios.


Sinopse (Fonte: Netflix)

"Depois de um perplexo suicídio de uma adolescente, um colega de classe recebe uma série de fitas que revela o mistério da sua trágica escolha"

Assim como o próprio título da série diz, sim, foram 13 as razões pelas quais a personagem principal, Hannah Baker, decide tirar a sua própria vida e cada uma das razões é contada em formato flashback, o que deixa o enredo mais envolvente, para fazer com que a gente reflita mesmo sobre cada detalhe. 

Basicamente, a série fala sobre o bullying, violência sexual e as suas consequências, sendo uma delas, o suicídio. E a construção do enredo com estes temas é feita com base em estereótipos reais, em situações comuns e muito presentes em escolas, principalmente, nessa fase da adolescência. 

Muitos adultos, pais e escolas acham que "não é nada", "bobagem", "coisa de adolescente", mas assim como adultos ficam revoltados com qualquer tipo de abuso e agressão, o adolescente vê isso em proporções muito maiores e por ser uma fase em que queremos ser parte de um grupo, queremos muito ser aceitos, nem sempre as soluções escolhidas são as melhores. 

Eu já contei aqui no blog sobre como foi a minha adolescência (link AQUI) e conversando com uma amiga lembrei que, à medida em que os anos passavam na escola, eu ficava cada vez mais reclusa. Primeiro, porque eu odiava encrenca. Então, quanto mais quieta ficava, achava que menos eu me complicaria. Que engano! Muitos que se diziam "amigos" me envolveram em suas encrencas e me levaram junto para a Diretoria, porque segundo eles...

"Você é minha amiga, não é? Você não vai me deixar na mão agora!"

"Você é boa aluna. Fala que foi você, porque eles não vão fazer nada."

"Você achou que ia sair da escola sem nunca ter passado pela Diretoria"

"Você é japonesa. Não pega nada"

"Se você abrir a boca, a gente se acerta fora da escola" 

O lado bom disso é que eu aprendi a reagir, a não ficar quieta diante dos fatos e a falar mais "não", mas sem precisar agredir ninguém. Ou seja, todas essas situações, querendo ou não, me fizeram mais forte para enfrentar outras piores situações quando adulta. Um papo para outro post...

O que não quer dizer que tive um final feliz e ponto. Não! Passei por psicólogos, tinha crises de ansiedade, achava que nunca faria parte de algum grupo ou de algo importante. Ainda bem consegui me levantar e seguir adiante, mas não foi NADA FÁCIL!

E você há de concordar comigo que, depois de anos passando por isso, não tinha como eu não achar que as pessoas só se aproximavam de mim por interesse e que eu sempre me daria mal. 

Por conta disso também, vivi uma fase do "tanto faz" e passei a ignorar pessoas e situações. Hoje, fico pensando em quantas pessoas passaram por mim e precisavam de ajuda, um simples "está tudo bem?" e eu omiti isso, porque só pensei que me daria mal e ignorei tudo para me defender.

E para agravar ainda mais esses comportamentos, hoje nós temos as redes sociais que, comprovadamente, estão causando mais ansiedade e depressão nas pessoas por 'n' motivos e formas de propagar quem elas, na verdade, não são, seja de forma direta ou indiretamente. 

Enfim, eu não sou psicóloga e não vim aqui diagnosticar ninguém, mas acho que o alerta que essa série trouxe não é apenas para falar sobre o comportamento de um potencial suicida, mas para tratar de temas que muitos pais e escolas se abstém da responsabilidade, como o bullying e o uso desenfreado e sem direcionamento da tecnologia, mas também para falar sobre os nossos comportamentos na sociedade como um todo. 

Porque ser espectador do que acontece te faz tão responsável quanto a pessoa que comete uma violência ou agressão, seja física ou verbal. É para refletir mesmo sobre...

Qual papel temos desempenhado na sociedade?

E isso não se refere só aos adolescentes, mas à todos. Quais os valores que a mãe ou pai tem passado para o seu filho ou filha? Como nós, como cidadãos, temos lidado com as questões da comunidade, cidade e país? 

E outro detalhe, a série também tem sido um grande meio de abordar um dado alarmante: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 800 mil pessoas morrem anualmente e mundialmente por conta do suicídio. 

Então, sugiro que você assista essa série e identifique quem é você ali ou alguma pessoa que você perceba que apresenta tais comportamentos. 

E não hesite em pedir ajuda! Foi difícil falar disso até pouco tempo, mas hoje vejo como a ajuda para mim foi importante para que eu pudesse seguir em frente! Não há nada de vergonhoso nisso. Não há nada de vergonhoso em querer viver bem a sua própria vida!


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