Fala Patti: Sete em Seis


Oi, oi pessoal!
Tudo certinho por aí?

Hoje o Fala Patti é sobre como engordei sete quilos em seis meses. E antes que você pense "lá vem a Patti ostentar a sua magreza", peço para que você leia até o fim! Não é nada disso que você está pensando.

Começando pela infância, só pra mostrar que sempre fui muito magra MESMO!
Eu sempre fui magrinha. Magrinha do tipo muito abaixo do peso ideal, sabe? As minhas calças sempre ficaram largas na cintura e qualquer camiseta parecia que eu tava usando um pijama. No ensino médio, eu tinha tanta vergonha de ser tão magrinha que ia de blusa de frio na maior parte do ano letivo, não importava o calor que estivesse. E eu tinha várias leggings para usar por debaixo dos jeans. Juro.

Por sempre ser muito magra, sempre ouvi das pessoas que você está muito magra / precisa engordar um pouquinho / o vento vai acabar te levando / olha essas perninhas finas no short. Eram palavras que doíam de verdade - obviamente, se eu pudesse, não seria tão magra. Todo extremo é ruim.
Apesar disso, não acredito que exista um preconceito entorno de quem é muito magro. Usei essa expressão - isso é preconceito - por muitos anos. Mas a maturidade me mostrou que não. Preconceito é ainda algo muito maior do que eu sofria. Bem, mas de alguma maneira, eu sofria.

Último dia de aula do ensino médio. Dezembro de 2003 - e só eu de blusa de frio.
Se você me conhece há algum tempo, te convido a puxar na memória quantas vezes você me viu usando um short (isso não conta se você me conheceu depois dos 25, que foi quando eu liguei o foda-se mesmo). Quando você me viu usando uma regata (isso eu quase não usava nem depois dos 25). Imagina, eu quase nem tinha esses dois itens no meu guarda roupa.

Quando alguém comentava perto de mim "nossa, eu não estou feliz com o meu corpo", minha vontade era gritar "eu também não!!", abraçar a pessoa e ter aquela conversa gostosa de cumplicidade. Onde trocaríamos experiências de como não estávamos felizes. Nunca tive esse tipo de conversa com ninguém. Até tentava, quando mais nova - mas na sequência, ao invés de cumplicidade, eu ouvia "ué, mas você é magra... você não sabe o que é esse tipo de infelicidade". O tempo foi passando e eu, na defensiva, já nem tentava mais. Ouvia o quanto a pessoa era infeliz e guardava todo aquele papo de "eu também", pra mim.

Como eu já contei aqui, quando eu tinha 20 anos eu atravessava uma fase bem ruim da depressão e parei de comer. Emagreci quase 10 kgs (imagina?). Eu pesava 36 kgs e, juro, era horrível. Mas mais do que qualquer comentário que eu ouvia, ou de qualquer roupa que eu comprava - e que não me servia (nessa época, lembro de ter comprado roupa na seção infantil), me olhar no espelho era a maior tortura. E isso se estendeu até dias bem atuais, eu vou chegar lá.

Rara aparição de shorts, com quase 22 anos. Talvez aqui eu ainda não pesava 40 kg.
Levou mais de seis anos para eu recuperar esses 10 kgs - que ainda eram abaixo do meu peso ideal. Lembro de ir a praia e não tirar meu vestido por vergonha de ficar de biquíni. Mano, juro!! 

Enfim, o tempo foi passando e eu consegui chegar nos 45 kg de novo, que ficou por anos estabilizados. Até que, do final do ano passado a fevereiro desse ano, perdi mais de 4 kg. No meu aniversário, eu pesava quase 41 kg. Até fiquei meio desesperada e não me lembro de ter parado de comer... Até comia, mas devido a qualidade de vida ruim, ia emagrecendo a cada dia.

Fevereiro de 2016: de volta aos 40 kg. 
Hoje, com 30 anos, levei um susto quando fui me pesar e a balança marcou 48 kg! Oi, como assim eu consegui engordar sete quilos em seis meses? Procurei mais duas balanças diferentes e, pra minha surpresa, era isso mesmo. Tava acontecendo!

Acredito que seja a qualidade de vida. Hoje, consigo acordar e sentir fome, tomar um bom café da manhã... Coisas que nunca fiz na vida. Também considero que o organismo de alguém com 30 já não é mais o mesmo do que os de 20 - e isso pode ter contribuído.

Pela primeira vez na vida, abri a internet pra fazer aquele cálculo do IMC e deu "Peso Normal". Nunca, nunca tinha acontecido. Fiquei olhando pra tela do computador e... chorei. Muito. Pensei em todas as piadinhas que ouvia, de tudo que passei - da blusa de frio na escola a vergonha de usar biquíni na praia. E, na sequência, fui me olhar no espelho. E, pela primeira vez em 30 anos, fiquei absolutamente FELIZ com o que eu via ali.

Tem a parte "ruim" - tô perdendo todas as minhas roupas, sério! Tem a parte que fico esperando ansiosa para algum comentário do tipo "NOOOOOOOSSAAAAAAA!! VOCÊ ENGORDOOOU!", Ora, quando perdia 500g todo mundo reparava - e dizia! Agora que engordei mais de sete quilos ninguém fala nada? Hunf!

Acabo que uso esse espaço - o blog -  e essa coluna pra compartilhar com vocês tudo que está no meu coração. E o intuito desse post é só dividir com vocês essa alegria! Eu ando na minha melhor fase e sou muito grata por ter vencido esse "fantasma" que me assombrou a vida inteira. Eu sei que se você leu tudo isso e sorriu, é porque entendeu que, pra mim, isso é um ganho imensurável. Engordar tantos quilos em um curto espaço de tempo é uma felicidade que não consigo nem explicar.

Não vou colocar uma foto minha atual aqui nesse post. Mas repare quando me encontrar! E pode fazer o comentário que quiser, juro que não ficarei ofendida. ;)

Muito obrigada por ter lido até aqui! Foi textão, né? Hahaha.. Obrigada mesmo! E vamos ser feliz porque a vida é curta demais! Combinado?
Um beijão e um ótimo sábado pra você!

Até mais! ;)


Um comentário:

  1. Patti, eu me vi muito no que vc escreveu. Sofri muito com meu peso. Mas o meu problema é o efeito sanfona.
    Depois que o Davi nasceu, tive alguns problemas e emagreci 20 kg, estava doente.. todo mundo perguntava nossa fez dieta?
    Consegui voltar no meu peso, mas engravidei da Rebeca e depois que ela nasceu, as pessoas ficam cobrando para que eu volte ao meu peso normal! Até familiares comentam: nossa ainda não emagreceu? quando vc vai emagrecer? Como se com essa rotina eu conseguisse ainda me preocupar com meu peso..

    Estou tentando adquirir habitos saudáveis, mas ainda é muito dificil. Comecei a fazer aula de dança pra me ajudar na questão de ansiedade e me sinto um pouco melhor.

    Acho que grande culpa de tudo isso, é que a sociedade, as pessoas não tem empatia com o próximo e querem dar pitaco em tudo! é muito triste! muita cobrança.

    Fiquei muito feliz por vc e com seu relato.
    Um abração em vc Patti <3

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