Fala Patti: Mamonas, O Musical + meu primeiro amor


Atenção, Creuzebek! 

Oi gente!!!

Olha, sendo sincera: já sentei aqui pra escrever esse post três vezes e não consegui evoluir.
Hoje é um daqueles dias que eu estou mega empolgada: vou assistir ao musical sobre a vida dos Mamonas Assassinas.
Só que antes vou tentar contextualizar todo o amor que eu sentia pela banda.

Acervo guardado com muito carinho
Os Mamonas morreram quando eu tinha 10 anos. Naquela época, eu não era a única criança que era apaixonada pelos caras (só eu, diferentona, a mina, a pitchulinha, o chuchuzinho.. Hahaha). Na verdade, arrisco dizer que eles alcançaram um nível que nem a Xuxa, nem a Eliana e nem apresentadora ou cantora infantil nenhuma chegaram: todas as crianças eram absolutamente doidas por eles. Não tinha uma só criança que não gostava (como nossos pais deixavam a gente ouvir um disco como aquele? Os anos 90 eram mesmo muito loucos. Mas isso é assunto pra um outro post!).

Até então, na vida, eu não tinha perdido ainda um familiar próximo, alguém que eu amasse muito. Minha única grande perda foi o Mussum, mas era já era "velho", né? Como lidar com a morte dos Mamonas Assassinas, ainda tão jovens, tão cheios de vida?

Me lembro direitinho do dia que eles se foram. Era domingo, o tempo tava meio estranho para uma manhã de março. Minha mãe me acordou com a notícia de que o avião dos Mamonas havia caído. "Ok, eles estão lá esperando o resgate". Sentei na frente da TV, o Gugu estava meio sombrio no comando no Domingo Legal - um programa que, na época, era totalmente alegre - e eu aguardava o helicóptero da TV filmar todos eles, bem, alegres, esperando o resgate.

Só quando os corpos começaram a ser içados que eu entendi que eles haviam morrido. Lógico, àquela altura, todo mundo (mas todo mundo mesmo) já devia ter me dito que eles não sobreviveram. Na própria TV já devia ter aparecido "Morre os Mamonas Assassinas", em letras garrafais e sensacionalistas que só os anos 90 poderiam nos proporcionar. Mas era como se algo tivesse bloqueado essa notícia. Eu não queria acreditar.


Chorei, chorei muito. Como todo brasileiro, senti a morte deles como se fosse de um familiar, de alguém super próximo. Passei muito tempo assistindo as fitas VHS que eu tinha gravado quando eles iam nos programas.
Com 11 anos, 11 meses depois da morte deles, fui questionada quanto ao meu presente de aniversário. Poderia ter pedido uma Barbie, um CD (CD naquela época era coisa cara e eu só ganhava um em aniversário, Natal ou Dia das Crianças) ou qualquer coisa material - mas nada me marcaria tanto quanto o que me foi dado.

De presente, pedi aos meus pais que me levassem a Guarulhos. Queria ir no cemitério, queria ir no túmulo que eles estavam enterrados, todos juntos. E assim foi: fiz um cartaz, todo bonito com papel crepom em volta, fomos ao cemitério e eu coloquei o meu cartaz lá, junto de um milhão de outros cartazes. Vi as lápides Alecsander Alves Leite, Alberto Hinoto, Samuel Reis de Oliveira, Sérgio Reis de Oliveira e Júlio Cesar Barbosa. Não derramei nenhuma lágrima no cemitério, mas no caminho de volta, disse "mãe... Vale chorar?". Com a permissão da minha mãe, chorei o caminho de volta inteiro pra casa e várias horas depois. E acho que era o que eu precisava para o luto acabar. A partir dali, sempre lembrei deles com saudade e não com dor.

Outras perdas da minha vida foram absolutamente mais dolorosas que a dos Mamonas Assassinas. Sofri muito (mas muito) mais com a perda do meu tio e das minhas avós, por exemplo. Mas a perda dos Mamonas Assassinas significavam que eu, com 10 anos, perdia ali meu primeiro amor. Entendem? Acredito que muita gente também tenha esse sentimento em relação aos caras, o que me dá até um certo conforto.
E até hoje quando falam em "primeiro amor", é neles que eu penso - e não em alguém "real", do meu convívio. Muito louco, né?

Elenco de "O Musical Mamonas"
Hoje, 20 anos depois, temos a chance de reviver um pouco aquela época que foi tão boa. Minhas expectativas com o musical são imensas e tenho certeza que vou me emocionar.
"O Musical Mamonas" promete essência e irreverência da banda, mesmo nos tempos atuais, tão careta. Até porque, toda a produção fez uma profunda pesquisa com os familiares dos integrantes, para que toda a história se baseasse em fatos reais mesmo. Ainda tomaram o cuidado de não citar o acidente - coisa que eu, particularmente, achei muito bacana, assim poderemos sair só com boas memórias do teatro.

Comprei meu ingresso para a segunda fileira e a expectativa é imensa.

O espetáculo fica em cartaz  no Teatro Raul Cortez até 29/5/2016 e ainda tem ingressos para todas as sessões.

E pra matar a saudade:


Quem aí também perdeu o primeiro amor com a morte dos Mamonas?

Beijos!


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