Fala Patti: Trinta e três


... "Mas ela pediu. Estava com a roupa curta. Se estivesse na escola/em casa/na igreja/ isso não teria acontecido".
... "Mas ela era usuária de drogas. Queria o que?"


Começo esse texto escrevendo no metrô. Visto jeans e uma blusa comprida. Penso naquela menina, olho as mulheres ao meu redor.. Poderia ser qualquer uma de nós. 
Ao mesmo tempo, me coloco no lugar dela: se isso tivesse me acontecido, eu teria procurado por me vestir desse ou daquele jeito? 

Trinta e três homens estupraram uma menina. Trinta e três e nenhum pra falar "não! Para!". Trinta e três e nenhum pra tirar ela dali, daquela situação. 
Daqueles trinta e três, nenhum tem irmã? Mãe? Namorada? Filha? (A que ponto chegamos: precisamos ter, necessariamente, um parentesco próximo a um homem para que esse tipo de apelo ganhe força).


Entre eles, um ex-companheiro. Um ficante. Me lembrei do exato momento em que contei sobre esse caso pro meu noivo... A indignação dele me causou um misto de orgulho e alegria, por ele pensar diferente. Ele não acha que a culpa é da vítima! Mas eu sei que pessoas do meu convívio, não pensam a mesma coisa. Pessoas jovens. Às vezes, mulheres.

Mulheres dizendo que a menina procurou, que ela mereceu! Não!! Ela não mereceu... Ninguém merece!!

Nesses momentos, eu perco a esperança. Sinto uma tristeza profunda, massacrante, sufocante de pertencer a uma sociedade assim. Chorei pensando nessa menina. Trinta e três impunes e ela condenada pra sempre.

Por isso, hoje escrevo para você, leitora querida: não se cale. A nenhuma forma de repressão, de censura, de nada. Não se cale a nada por ser mulher. Não se subestime - e não deixem que façam isso.

A luta feminista é importante para que atrocidades assim não aconteçam mais com a Beatriz, comigo, com você.. Que possamos sonhar com um mundo com mais igualdade, mais liberdade e, sobretudo talvez, mais segurança. 



A culpa não é da vítima. Vamos fazer barulho. Não vamos ficar caladas. Por você, Beatriz, faremos um escândalo. Porque estamos juntas. Eles são trinta, nós somos milhares. Não nos calemos.

A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil.  Denunciem. Sempre! 


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