Sobre ter H1N1


Olá, amigos! Hoje preciso fazer um alerta a todos vocês.
Há duas semanas, fui "diagnosticada" com H1N1. As aspas são para alertar que esta doença está sendo subestimada, que ela é séria e que você deve fazer o que puder para evitá-la. 
Look do dia: usando o óculos para salvar o resto de dignidade que me restou depois de usar essa máscara línda no hospital. E manter o cabelo alinhado era missão impossível, H1N1 despenteia mesmo!


Desde o sábado (2), eu estava com dor no corpo. Pensei que fosse ficar gripada e por isso passei a tomar Resfenol, que me poupou da febre alta, que costuma ser um dos sintomas mais severos. Na terça-feira (4), a dor no corpo ainda não tinha cedido, pelo contrário. Estava com dor no corpo todo, nas articulações e de cabeça, uma tosse seca constante e muito cansaço.

Quando entrei no Hospital Nove de Julho, a médica listou os meus sintomas, me examinou e disse não ter dúvida que se tratava de H1N1. O que ouvi em seguida foi que, se eu quisesse e fizesse questão, poderia fazer o exame de sangue, mas que ter 100% de certeza do diagnóstico não mudaria em nada o tratamento. Primeiro, o exame não era pago pelo convênio e eu teria que desembolsar R$ 150 por ele. Segundo porque, mesmo com o resultado oficial, não teria acesso ao Tamiflu. Uma mulher jovem, sem doença crônica ou grávida, não faz parte dos grupos de risco e, por isso, não tem recomendação do remédio. Esta é a orientação das autoridades de Saúde, a médica não fez nada errado. Mas, como vocês podem imaginar, assim como o meu caso, centenas não constam nas estatística oficiais.

O que a médica me mandou fazer foi repouso absoluto por mais dois dias, beber muita água e comer bem. Receita de vovó, como ela definiu. Ou seja, me mandou para casa tratar dos sintomas enquanto o meu corpo tratava de criar anticorpos para combater e neutralizar o vírus do H1N1. Não teve Tamiflu, mas teve antialérgico, antitérmico e analgésico. Foram dias horríveis, nunca me senti tão impotente na vida. Não conseguia nem ver televisão por muito tempo porque até isso me cansava.

O que eu não tinha escutado na televisão e descobri passando mal, é que o H1N1 também debilita o pulmão. Isso quem me contou foi um infectologista do Hospital São Camilo quando eu tive falta de ar e percebi que, diferente dos outros sintomas, o cansaço não cedia. Não lembro as palavras exatas por motivos de eu estar zureta no dia, mas o que ele me explicou é que por conta da tosse e do próprio vírus, as fibras do pulmão ficam desgastadas e não funcionam como deveriam. Daí o cansaço sem fim. Ah, o infecto também não teve dúvida que o meu caso era H1N1 e repetiu que o exame de confirmação no meu caso era irrelevante. 

Para não falar que no hospital só me mandaram ir para casa, descolaram essa inalação que me livrou da tosse por umas seis horas. Mas não faço ideia dos medicamentos que eu estava usando nessa foto, não façam perguntas difíceis.
A transmissão acontece pela gotícula de saliva. Então se a pessoa falar muito perto de você, te beijar ou te der a mão depois de ter usado esta mesma mão para cobrir a boca enquanto tossia, ela pode te transmitir H1N1. No último caso, você só pega se levar a mesma mão que usou para cumprimentar à boca. Isso também vale para corrimão de Metrô e ônibus. Ae você colocar a mão no mesmo corrimão que alguém com H1N1 tocou depois de tossir e levar a mão à boca, você pode se infectar.

Tudo isso para explicar para vocês que a circulação do vírus é muito maior do que a notificação oficial e que a transmissão é muito fácil.E também que é muito simples de proteger contra a doença. Lave sempre as mãos, use álcool em gel quando for possível e evite levar a mão à boca. Eu tenho o hábito de colocar a mão nos lábios quando paro pra pensar em alguma coisa, por exemplo. Uma bobagem que eu só detectei pensando "onde foi que peguei essa porcaria?".

E, por amor aos seus, evitem abraçar e beijar crianças e idosos assim que vocês chegarem da rua. Lavem as mãos, se possível tomem banho e troquem de roupa antes de conviver com a família. Se em uma pessoa forte que nem eu essa doença provocou duas semanas de cansaço, dores e inatividade, vocês pensem o que pode provocar em alguém com o organismo fragilizado. Amar inclui cuidar, que inclui tomar medidas sanitárias, rs.
Quem me conhece sabe que eu não sou de fazer alarde por bobagem, mas me senti na obrigação de relatar como foi a minha experiência com a doença, a situação de total subdiagnóstico do H1N1 e as formas de contágio. Não quero que passem pelos mesmos maus bocados que eu. Se cuidem!

PS: fiz essas fotos para a minha família e amigos acompanharem como eu estava no hospital. Eles sabiam que eu estava mal pela minha voz no telefone, mas também queiram imagens. Não sou dessas que faz fotos no hospital, só faço Snaps. ;)


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