#PallomaVaiSecar: desabafo de uma gorda


Olá, suas maravilindas! Estão ótimas como sempre?

Hoje, por motivos de indignação mesmo, não vou falar sobre a dieta (que está indo bem, obrigada!). Vou fazer o desabafo de quem está além das grades de tamanhos da grandes lojas desde sempre. De alguém que ouve que é uma pena ter um rosto tão lindo. Antes que Palloma seque, Palloma vai falar, rs.

Amanhã uma das minhas melhores amigas faz aniversário. Ela tem pouco mais de 1,50 metro de altura e se pesar 55 quilos é muito. Em 10 anos de amizade, já comprei presente pra ela algumas vezes e vocês não fazem ideia da complicação que é para uma gorda comprar uma roupa de gente magra. "Moça, tem macacão de perna longa e abertura nas costas no tamanho PP?", perguntei eu trocentas vezes na semana passada. Uma das vendedoras me disse "moça, seu tamanho não é PP". Fui obrigada a rir alto e soltar um "ah vá! Agora me conta uma novidade!".

Em outra ocasião, comprei um vestido de amigo secreto para esta mesma amiga. No caixa, a atendente ficou aflita. Olhava pra peça e pra mim, pra peça e pra mim. Quando perguntei se tinha algo errado, ela toda constrangida me disse "senhora, a peça não é do seu tamanho. Aliás, é muito menor. A numeração está correta?". Respirei fundo e perguntei se ela tinha alguma coisa contra os clientes comprarem presentes.

Até poderia passar batido por estes acontecimentos extremamente desagradáveis, afinal de contas, o plano é deixar de ser gorda em breve. Mas e o preconceito? E a total falta de sensibilidade no comércio? E a falta de respeito das marcas? Vão passar em breve? Acho que não. Primeiro porque a nossa sociedade tem uma cultura horrenda de julgar os outros pela aparência e a partir do que elas acham que é bonito, claro que nunca param pra perguntar para o objeto de sua "análise" se a pessoa está confortável na própria pele. A cultura das empresas deriva sempre da cultura das pessoas que trabalham nelas. Não acredito que essa ditadura da magreza nasceu de algum lugar que não seja a cabeça de alguém com o coração amargurado.

Dia desses, conversava com uma leitora do blog e comentamos sobre o clássico comentário feito às gordinhas "Você é fortinha, mas o seu rosto é lindo. Que pena..." Ou seja, a pessoa acha que, de alguma forma, o meu corpo estraga o meu rosto. Vejam vocês o quanto as pessoas são malucas! A leitora me contou o que responde aos queridos que soltam esta frase. "Você achou o meu rosto bonito? Obrigada, é uma pena eu não poder dizer o mesmo!" #angelicarocks #tomaqueédegraça

E o preconceito não é só sobre os gordos, conheço pessoas que emagreceram escutam "nossa, agora vc tá magra demais". Pessoas que sempre foram magras e ouvem "quando você era criança, sua mãe chegou a e levar no médico pra ver se ser tão marinha é normal?". E cuidar da própria vida? Alguém já tentou? Se você acha lindo ser Pugliesi, vá você acordar às 4h da manhã para correr. Se você quer ser uma Kardashian, pede para a Kris Jenner te adotar. Mas pelo amor de Deus, não me encha o saco!

A principal motivação deste post é lembrar que tão prejudicial para minha saúde quanto os triglicérides e o colesterol alto, é ter que ficar ouvindo merda, com o perdão da palavra. De verdade, não preciso que ninguém goste do meu corpo, que aceite, que tolere. O corpo é meu, problema meu, sorte minha. A questão aqui é respeito, apenas. As pessoas não fazem ideia do quanto um comentário infeliz é capaz de devastar a autoestima de alguém. E, de verdade, mesmo que soubessem que uma menina fosse desenvolver bulimia depois de uma pataquada dessas, elas continuariam. Infelizmente, a crueldade está no pacote básico das pessoas medianas.


Já há alguns anos eu respondo, retruco e devolvo a gentileza na forma de um sonoro "o meu caso ainda tem jeito porque basta eu emagrecer. E o seu, que além de desagradável, é uma pessoa feia por dentro e por fora?". Mas durante anos, especialmente na adolescência, acreditei que meu corpo estragava o meu rosto. Isso sim, acreditar que o meu corpo tinha algum defeito, era uma pena. Passei anos da minha vida pensando porque eu não era "normal" e hoje sei que perdi dias preciosos.

A verdade é com uma boa luz, um figurno no qual você se sinta confortável e uma pose que favoreça, todo mundo é Gisele mesmo sem vestir 34. E sim, eu sei que sou gata pra kct!

Então, sabendo que a maioria esmagadora dos leitores deste blog são mulheres, queria pedir que a gente se desse um presente neste 8 de março. Julgo a pauta de igualdade de gêneros como algo extremamente distante da nossa realidade porque até hoje as mulheres não aprenderam nem a se elogiar, pensa se unir e brigar com os homens por igualdade. A gente olha uma pra outra procurando um defeito e isso precisa mudar para ontem. Concordam?


Que amanhã, no dia Internacional da Mulher, a gente use a empatia e elogie! Que a gente se coloque na pele da outra e nunca mais abra a boca para soltar uma sopa de abobrinhas. Que você não desça a lenha na nude de uma menina plus size e que não critique uma magrinha de calça legging. Isso seria tão incrível! (especialmente se você for uma vendedora de loja de roupa!)


Se eu pudesse dar um conselho, seria não julgue o corpo dos outros. Você, mulher, sabe o quanto é cruel julgarem o seu corpo, não sabe? Não se iluda, se colocar na posição de carrasca na ditadura dos padrões de beleza não vai te fazer menos vítima destas mesmas barbaridades contra a autoconfiança. Que amanhã cada uma de nós só abra a boca para elogiar, encorajar e empoderar. Pronto, falei!

Semana que vem, eu volto para falar da dieta, tá? Espero que vocês continuem me amando até lá.  Nesse meio tempo, estou no Snapchat (palloma.mina) e no Instagram (@pallomamina)


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