#PallomaVaiSecar: Amor, meu grande amor...



Sabem qual foi a primeira coisa que eu fiz depois que decidi emagrecer? Fui comer! Não sei exatamente o que foi, mas há uma graaaaaaaaande probabilidade de ter sido um mix de leite em pó, achocolatado e água (coisa de criança que ganhava Leve Leite nos anos 1990).

Afinal de contas, estava nervosa, precisava comer! E quando eu estava triste, só uma comida bem gostosa me animava. Se eu tinha muito trabalho, levava uns docinhos para aguentar a maratona. Se eu tinha pouco trabalho, sobrava mais tempo para parar em algum lugar bacana e comer bem. A comida era uma graaaaaaaande parceira de vida. Tanto que, quando eu ia comprar um doce, pensava “ah, mas um pacote de bolacha custa a mesma coisa que um bombom, só que vai ficar mais tempo comigo”. Não acho que chegava a ser um vício, mas era uma amizade e tanto. E, vocês sabem, amizade é o melhor tipo de amor. No outro post disse que não sabia como tinha engordado, mas,  relendo essas linhas, descobri como foi! Rs.
Meu caso com as bolachas Chocolícia era de amor eterno!
Sério agora: a nossa vida é pautada por comida. Você tem uma hora no meio do expediente para? Comer. Seus pais te esperam chegar do trabalho toda noite para? Comer. Quando você se reúne com seus amigos é para conversar e para? Comer. Se você precisa fazer um contato profissional, convida a pessoa para? Comer. Tenho a impressão que a gente vive em função da próxima refeição.

E mais que isso, todos os momentos bacanas da vida social tem muita comida. De batizado a casamento, tudo tem coxinha. Ontem mesmo fui com a minha mãe no Arcos da Cantareira. É um restaurante super tradicional no meu pedacinho de zona norte, é o primeiro restaurante do qual tenho lembrança na vida e onde não ia há muito tempo. Assim que pisei lá, vieram várias memórias. Lembrei de mim e do meu irmão perdendo os balões de gás que vendiam na porta, da gente comer rápido pra descer pro parquinho e, claro, do gosto do filé gratinado.

O fato é que, mesmo comendo desde o dia em que nasci, não aprendi a comer direito. Se tivesse aprendido a comer direito, não estaria gorda. Se as pessoas anoréxicas soubessem comer, não estariam doentes. Ninguém nasce sabendo comer. Os hábitos alimentares são muito mais culturais que instintivos. Então aquele discurso de "no fundo todo mundo sabe o que tem que fazer para emagrecer" é mentira. Eu achava que sabia, mas não sabia porra nenhuma.

Quando tive a consulta de retorno na ginecologista, com meus exames de sangue em mãos, ela me disse com todas as letras que eu estava à beira de um colpaso, que emagrecer não era mais uma opção se eu quisesse ter uma vida saudável. Durante a bronca, ela usou o termo obesidade mórbida. Não era o caso, mas caiu como uma bomba. Desta vez, ao invés de pensar na próxima gordice, pedi que ela me indicasse um endocrinologista. Ela me indicou a dela, disse que era ótima, mas que as coisas só iam acontecer se eu aderisse ao tratamento. Estava certíssima. 
Se eu achei que o termo obesidade mórbida caiu como uma bomba no consultório da gineco, vocês não imaginam o que aconteceu na sala da minha psicóloga! Você ouvir de alguém que você precisa emagrecer é uma coisa. Você, depois de ter feito algumas dezenas de matérias sobre saúde e saber exatamente o risco para saúde que obesidade mórbida significa, se escutar dizendo que está nesta situação é muito triste. 

Nem todo sutiã 52 é bege e molenga, tá? Fica a dica!
Não é pelo sutiã 52. É pelo risco aumentado de câncer, infarto, problemas de articulações, infertilidade, diabetes e pressão alta. Tinha consciência disso tudo.  Qual seria minha qualidade de vida em 10 anos se seguisse naquele ritmo? Como eu, que gosto tanto de viver, podia me enfiar numa situação de risco dessas? É como querer atravessar a Avenida 23 de Maio ou transar sem camisinha: talvez você saia ilesa, mas a chance de dar merda é muito grande para arriscar. Chorei muito naquela sessão de análise, muito mesmo.

Foi uma barra admitir que tinha me metido em uma enrascada dessas. E minha terapeuta, que é excelente, me fez pensar nisso muitas e muitas vezes em uma hora. Eu brinco que pago para ela me esculachar, mas é o meu dinheiro mais bem investido. Vou escrever sobre a importância se estar com a cabeça boa para encarar este processo em algumas semanas, prometo! 


Ciente de que precisava agir, liguei para a endocrino indicada pela minha ginecologista e veio o primeiro balde de água fria: ela não atendia convênio. Na época, tinha acabado de ser demitida e pagar R$ 300 em uma consulta médica estava fora de cogitação. Então fiz o que podia. Liguei em 18 consultórios até achar uma nutricionista que atendesse meu plano e depois em mais uns 13 endocrinologistas com título de especialista. Marquei as duas consultas para a semana seguinte.
Podia ter desistido aqui, perdi duas horas no telefone. Mas, se eu não persistisse, quem faria isso no meu lugar? Ninguém. Sabem quem é o grande amor da minha vida? Eu. Se eu não fizer sacrifícios pela pessoa que mais amo no mundo, vou fazer por quem? E cá para nós, 30 ligações não são nada perto da minha saúde. Nem 300 me fariam desistir.  E se você, caro leitor, aceita um conselho meu é: não desista de você em hipótese nenhuma.

No mercado, comprei pão integral, achei que isso seria uma mudança e tanto (#sabedenadainocente). Como estava sem emprego fixo como jornalista e minha rotina Mary Kay é master flexível, eu fazia as refeições quando me dava na telha. Era uma coisa super bem distribuída, tipo café da manhã às 10h, almoço às 16h, lanchinho às 18h e café da noite às 21h. Sim, jantar é uma palavra que ainda não existe no meu vocabulário. Disciplina mandou lembrança!
Mas ali, naqueles dias de ressaca moral por causa do diagnóstico de obesidade, também estava organizando minha mudança para sair da casa da minha mãe. Por mais que uma pessoa queira dar este passo, não é fácil. Aí, como eu estava ansiosa pra kct, me dei o direito de comer como se não houvesse amanhã até ouvir da boca da nutricionista o que eu precisava fazer. Nesse processo de mudança de hábitos, eu escorreguei sim várias vezes, mas nunca perdi o meu objetivo de vista.

Sabia que teria que me despedir das gordices e do prazer que era estar com elas. Nesta brincadeira, foram menos de 10 dias entre a pesagem na gineco até a sala da assistente da nutricionista, ganhei mais 3 quilos! Se tem uma coisa que a gente não pode subestimar é a capacidade de uma pessoa ganhar peso, sério! Dá pra imaginar como foi o clima da consulta, né? 
Eu só pensava "preciso de ajuda, meu peso está fora de controle!"

Na próxima semana, vou contar como foi minha consulta com a nutricionista, a decepção com um endocrinologista e mostrar algumas coisas que aprendi a comer na marra! Rs. Mas enquanto isso, vocês conferem os desafios de cada dia nas redes sociais. BjkS!

Instagram e Twitter: @pallomamina
Snapchat: palloma.mina

Quem cuidou de mim neste post:

Ginecologista Cybelle Potenza - 2283-0348
Psicóloga Camila Lopes – 3031-1723


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