#PallomaVaiSecar: Amigos, amigos. Dieta à parte.


Quando comecei esse processo de emagrecimento sabia que era uma jornada minha, que meu maior obstáculo seriam os meus hábitos e a minha indisciplina. Bobinha! Olha eu achando que o meu mundo gira ao meu redor. Como disse no meu segundo post desta série, a comida é muito nossa amiga. Pior, ela também é amiga dos nossos amigos.


Conviver em sociedade não é tarefa simples. A maior parte do tempo a gente tem que fazer o que todo mundo do grupinho está fazendo para ser aceito ou para pelo menos não te encherem o saco. Isso não tem nada a ver com a adolescência, tenho quase 30 anos e estou passando essa barra.


Eu já não bebia, não tomava refrigerante e não comia porco. Ou seja, sou aquela pessoa que ia no Outback para comer frango empanado, tomar chá e tirar o bacon da batata. Sempre ouvia coisas do tipo "como você é fresca!", "eu não confio em pessoas que não bebem", "nesta idade, você já deveria saber beber", "que problema tem tomar um copo de refrigerante?" e "você fica mesmo alta com uma taça de vinho?". Às vezes eu explicava que eram preferências minhas e ponto, às vezes só fechava a cara e falava que não queria, mas na maioria das vezes ignorava e mandava a pessoa catar coquinho na ladeira mentalmente.


Quando decidi fazer dieta, por motivos de saúde, imaginei que as pessoas fossem ter algum respeito porque afinal de contas não era uma escolha X, era uma coisa que ia me fazer muito bem no longo prazo. E eu, do pedestal da minha ingenuidade, imaginei que as pessoas que me cercam só quisessem o meu bem e iam super entender e apoiar. Bobinha! (2)
Duvido que esta foto tenha sido feita por amigos desengonçados, como os meus, mas serve para ilustrar
Num primeiro momento, não contei para todo mundo que estava fazendo dieta. Não sabia se ia conseguir tocar, não queria as pessoas me perguntando o tempo todo quantos quilos precisava perder, nem me mandando comer batata doce com clara de ovo. Mas, conforme o tempo foi passando e os eventos sociais acontecendo, deu ruim. 
Por algum motivo desconhecido, as pessoas acham que se você não está comendo gordura e açúcar, você não está feliz. Fosse no churrasco, na casa de massas, no japonês ou na rua, é sempre a mesma indignação. "Você não vai pedir salada, né?", "fazer dieta é de segunda a sexta, hoje é sábado!", "mas quando é seu dia do lixo? Não é hoje?", "até parece que você vai conseguir fazer dieta... Desiste logo!" ou "você não se acha linda? Então come!". Isso as pessoas falam quando estao sóbrias, quando estão alcoolizadas, elas berram. Dá licença, o corpo é meu e a boca também? Ah, sim, que gentil a sua parte. Muito obrigada por me deixar fazer o que quero da minha vida!


O mais engraçado de tudo é estas são as mesmas pessoas que soltavam as pérolas  "mas você tem o rosto tão bonito..." com aquele pesar de quem tem pena das suas calças 48. Incoerência: a gente vê por todo lugar! Não sou psicóloga, mas tenho para mim que algumas pessoas simplesmente não vão se conformar de ver o outro fazer uma escolha diferente da sua. Elas se apoiam no que elas acham certo e soltam "que saco, você! Come o que todo mundo tá comendo". O único problema é elas perceberem que nunca pedi a opinião delas.


É claro que não reagi bem. Primeiro fiquei triste, depois fiquei puta, depois pensei em não ter vida social até terminar meu processo para evitar o desgaste de ter que mandar alguém catar coquinho na ladeira a cada fim de semana. Dei umas jacadas feias só pra não ter que ouvir merda, mas depois passei mal e nenhum corneteiro me emprestou o estômago para eu trabalhar no dia seguinte.


Aí estabeleci um protocolo: na primeira bobagem que a pessoa fala, explico a situação; na segunda, ignoro solenemente; e na terceira, uso minha capacidade de colocar a pessoa em seu devido lugar, o que é erroneamente chamado de grosseria. É aquela coisa, quem fala o que quer, ouve o que não quer. Não posso deixar que as pessoas me digam o que bem entendem e deixar que elas derrubem o meu ânimo. Se eu não impuser limites, ninguém vai fazer isso por mim, caras leitoras.

O que aprendi com isso tudo é que quem tem que se comprometer com as minhas causas sou eu e que nem sempre quem me quer bem, quer o melhor para mim. Se fosse esperar o apoio incondicional de todo mundo, palmas para cada pistache que como ou um joinha para cada minuto que fico na bicicleta da academia, não ia ter feito nada disso. Nem Jesus Cristo agradou a todos praticando apenas o bem, quem sou para ter essa pretensão, não é? Se eu me agradar já está de bom tamanho. Quem tem que me apoiar, me incentivar e bater palma para mim sou eu mesma.

Um sábio me disse uma vez que precisamos aceitar os amigos com os defeitos que eles têm. Alguns dos meus tem o defeito de acreditar que a única forma de ser feliz é comendo como se não houvesse amanhã, outros estão há tanto tempo na zona de conforto que não aceitam alguém agir diferente e outros, descobri com este episódio, são viciados em reclamar de tudo o tempo inteiro. Mas são pessoas que sei que gostam de mim, só não enxergam o que podia me acontecer daqui 10 anos se eu não tivesse tomado esta decisão. Acontece com todo mundo, a diferença mora na minha reação à isso. Vou cair na deles ou vou seguir meu plano? Escolhi a segunda opção e daqui pouco tempo eles vão me dar razão.

No post da semana que vem, vou falar sobre a importância do acompanhamento de um bom endocrinologista e os primeiro resultados da dieta nos meus exames de sangue. Enquanto isso, me sigam nas redes sociais para acompanhar o cotidiano de uma futura-ex-diabética em potencial. BjkS!


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